Cinema da Cidade

(Exercícios Benjaminianos)


Ato I Ato II Ato IV

Índice
(Ato III)


O livro

Ivan, o terrível

(Sergei Eisenstein, 1943)

Na condição de verdade canônica a ciência é o livro em sua forma estática e imutável, mortuária, uma representação do mundo como necessidade e uma demanda de sujeição àquele ordenamento. O livro científico, contudo, é uma forma específica e histórica, que se organiza segundo metáforas espaciais, estabelecendo territórios e recortes; vértices e vetores, linhas ascendentes e descentes; podendo culminar na forma arquitetônica da catedral, que em certo momento se pretendeu a síntese total e abstrata do real. Naquilo que edifica o livro é uma cristalização, a tentativa de representar o mundo como o que é preciso e necessário - a lei determinística e, em muitas ocasiões, a representação de um sistema linear.

O livro científico, filosófico não é, contudo, apenas a materialização do trabalho intelectual. Ele tem uma unidade, uma face, uma fisiognomia e uma autoridade, que não emana do autor propriamente dito. Bem ao contrário, o autor empresta seu nome terreno e mortal a um títere, que dele se nutre, para consubstanciar uma potência que é o livro como cânone, como artefato mítico - suporte da verdade, apesar da verdade. O livro científico, filosófico é o altar de uma era; elemento necessário e expressivo de sua fisignomia.


Saturno devorando a un hijo

(Francisco de Goya, 1820-1823)

http://eeweems.com/goya/

O livro científico tende, dado o seu próprio dinamismo formal, ao cânone, razão pela qual todo autor, na deificação a que é conduzido em sua apropriação monástica, vê condenada sua negatividade, de tal modo que tudo aquilo que nele era efervescência crítica, simpatia pela vida, abundância, converte-se em discurso frio; domínio exegético de padres laicos, respeito e reverência, produção e funcionalidade. Deste modo, se é marxista apesar de Marx; hegeliano em que pese Hegel, ocorrendo, então, que toda negatividade acabe por tomar a forma necessária, ainda que perversa, da erudição e da devoção mimética. A ciência, portanto, se deita com a erudição, mas só pode procriar com a heresia. E mesmo que toda heresia tenha por fundamento a tradição, existe aquele momento fatídico em que é necessário incendiar o velho mundo e cortar as amarras, lançar a nau.

No horizonte infinito - Deixamos a terra firme e embarcamos! Queimamos a ponte - mais ainda, cortamos todo laço com a terra que ficou para trás! Agora tenha cautela, pequeno barco! Junto a você está o oceano, é verdade que ele nem sempre ruge, e às vezes se estende como seda e ouro e devaneio de bondade. Mas virão momentos em que você perceberá que ele é infinito e que não há coisa mais terrível que a infinitude. Oh, pobre pássaro que se sentiu livre e que agora se bates nas paredes dessa gaiola! Ai de você, se fosse acometido de saudade da terra, como se lá tivesse havido mais liberdade - e já não existe mais “terra”! (NIETZSCHE, 2005, p. 147)


Ivan, o terrível

(Sergei Eisenstein, 1943)

http://www.wsws.org/arts/1998/feb1998/eisen.shtml

É tarefa da filosofia e do filosofar, portanto, opor-se à sina mítica que envolve o livro. O pensamento deve desenvolver-se, portanto, e de princípio, como uma reflexão sobre o livro como forma, para que possa ele materializar-se como o que efetivamente regenera e liberta. O livro como forma deve ser o antídoto ao veneno; deve incorporar e antecipar as qualidades materiais do futuro; deve desenvolver os princípios arquitetônicos e as qualidades gráficas que resistem às forças centrípetas da ordem.

Na atualidade, por exemplo, o livro não cabe mais na trilha reta e estreita que o contém, como uma seqüência de páginas. O livro se desenvolve para conquistar não apenas porções muito mais amplas do plano, mas igualmente para ganhar volume, figuração, som e textura. Estes requerimentos gráficos não são, como se pode pensar inadvertidamente, fundamentados nos desenvolvimentos tecnológicos. Muito ao contrário, o desenvolvimento da forma do livro é uma luta para dar ao desenvolvimento em geral, o tecnológico incluído, uma estrutura e uma natureza que o redima de suas tendências distópicas, ou seja, do pensamento como prisão e oclusão; como ordenamento forçado e arbitrário do real.


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Letras, números e dígitos

Nelson Motta

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz1611200705.htm

Amazon.com lança "iPod" sem fio para baixar livro e jornal
Folha de S. Paulo - 20/11/2007

http://www.cbl.org.br/news.php?recid=6062

Borges, completo e novo

Os 35 livros do autor argentino são reunidos em 23 volumes da coleção Biblioteca Borges, que começa a ser lançada pela Companhia das Letras

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071125/not_imp85150,0.php

Arsenal coeso e poderoso de idéias

Primeira leva de relançamentos do autor resume os caminhos amplos e complexos de sua temática

(sobre a literatura de Borges):

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071125/not_imp85136,0.php

Profeta da web, refém do presente

Estudos apontam afinidades com a rede que tem dele 3 milhões de referências

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071125/not_imp85139,0.php


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