http://br.youtube.com/watch?v=mzSh3Ijrc6U
No fim do filme o protagonista compreende a razão de ser de sua impotência criativa, da incapacidade de organizar e engendrar o enredo. A esterilidade aparente, portanto, o leva a uma outra natureza de compreensão não apenas do filme, mas da vida como um todo. A figura da pantomima, a dança em círculo, o congraçamento, a reconciliação do diverso no todo: em seu esgotamento criativo estava contida uma surpresa e ela tomou a forma de um lampejo, um pequeno instante cuja intensidade realizava, para ele, a totalidade do tempo. Este flash é a necessidade como realização, reconciliação do externo e do interno; da existência e da história. Estes flashes se assemelham à morte e são, em certa medida, equivalentes a ela como experiência, na justa medida em que abrem a porta de novos mundos, instituindo o sujeito da experiência como novidade. O tempo da revolução se assemelha a esta situação, pois ocorre em primeiro lugar uma contenção, um bloqueio da experiência, um concentração, que se resolve no flash e no lampejo, como compreensão e articulação completamente novas da realidade. A revolução é sequiosa de imagens porque está obrigada a figurar o real como aquilo que é ainda inexistente. Nisso, tudo o que é velho é arrancado de seu contexto e firma um pacto com o inexistente, para representá-lo em seu vir a ser.
“Comparados com a história da vida orgânica na Terra”, diz um biólogo contemporâneo, “os míseros 50 000 anos do Homo sapiens representam algo como dois segundos ao fim de um dia de 24 horas. Por essa escala, toda a história da humanidade civilizada preencheria um quinto do último segundo da última hora.” O “agora”, que como modelo do messiânico abrevia num resumo incomensurável a história de toda a humanidade, coincide rigorosamente com o lugar ocupado no universo pela história humana. (BENJAMIN, Walter. Sobre o conceito da história. Tradução de Sérgio Paulo Rouanet. Ensaio obtido em Walter Benjamin -– Obras escolhidas. Vol. 1. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e história da cultura. Prefácio de Jeanne Marie Gagnebin. São Paulo: Brasiliense, 1987, p. 222-232. Sítio Antivalor)

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